O contexto
Transportadora regional com quarenta e um veículos e três pessoas na torre de controle. O turno dura doze horas e a tela fica aberta o tempo inteiro, em monitores antigos, com brilho alto e ambiente iluminado.
Projeto autoral. O cenário foi montado a partir de visitas a operações logísticas, não de um contrato.
O problema real
Interface de operação não compete por atenção: ela é olhada de relance, dezenas de vezes por hora, por alguém que já sabe o que procura. O erro comum é tratar essa tela como um painel executivo, cheio de gráfico e cartão colorido.
O que a torre precisa saber em um relance é sempre a mesma coisa: o que está atrasado, o que vai atrasar e o que precisa de alguém agora.
As decisões
Densidade é uma qualidade, não um defeito. A tabela mostra quarenta linhas sem rolagem em tela cheia. Espaçamento generoso aqui significa menos informação por olhada, o que custa tempo real.
Cor só carrega estado, nunca decoração. A paleta da interface é neutra, e a única cor saturada da tela indica exceção. Se aparecer vermelho, alguém precisa agir. Se estiver tudo cinza, está tudo bem.
Ordenação é opinião, não preferência. A lista abre ordenada por risco de atraso, não por horário de saída. Deixar o operador escolher a ordem parece respeitoso e na prática empurra uma decisão para quem está sem tempo.
O que foi descartado
Mapa em tempo real na tela principal. Ocupa metade do espaço, exige interpretação e responde a uma pergunta que a torre raramente faz. Virou uma tela secundária, acessível por atalho.
O resultado
Uma tela densa que se lê de longe, com contraste medido em monitor ruim e navegação inteira por teclado, porque mão em mouse durante o turno é tempo perdido.
